O que há dentro de mim é um fogo que arde e não se vê.
É o desejo intenso de trazer o Reino de Deus no meio de nós.
Não importa o esforço que devo fazer.
Chega de gastar tempo com o que é deste mundo:
poder, ter,ter,ter, sexo por sexo, conhecimento estéril,
culto ao corpo, ser morno....
Não aguento mais ver o ser humano se denegrir.
as criança sendo vítimas de maus tratos, pedofilia,
doenças, crimes.....meu Deus.....
Como ficar alheio a tudo isso e não fazer nada...?
Só pensar em mim?
Por isso vamos lá...Hospital do Cancer de Barretos
aí vamos nós...
pra fazer o quê ...não sei
não sei como fazer, o que falar....estou com um frio na barriga
mas, a única coisa que eu quero....que as crianças se sintam amadas....
dizer que Deus ama cada uma delas...
quero ser expressão do amor de Jesus..
então.....ô Gloria.....vamos lá.
quem estiver lendo essa matéria rezem por nós....eu peço a sua oração por mim, e por todos
que estarão lá.
bjos.
ah! a hora que eu voltar eu posto as fotos....
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar… Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que… não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade…
A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor… Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração… E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor…
A gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor… Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração… E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor…
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos…
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio… Abrindo vazios de silêncio… Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos… Pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.
Texto de Rubem Alves










